domingo, 15 de julho de 2007

Pondo ordem no puteiro

Metade puto, metade inconformado, metade triste. Dessa vez, abafa o contexto. Não é música. Não é nada, na verdade... Só uma cuspidela.

Já ando cheio de me sentir
feito uma densa metalinguagem
numa novela mexicana
de alma então dilaceranda
pelos hipérbatos sem decupagem
e pelos dramas do não-fluir

De ver as damas descabelando
os cavalheiros se desonrando
e as crianças a descrescer
num enredo afônico quase sem métrica
com uma premissa quase absurda
e papel de único a perceber

E se zona é status quo
Que tal tentar, então, de pirraça
Fazer de rave essa valsa-trio
botar desordem no coreto da praça
trocar o tango por um bom free jazz
e o fado lento por um samba a mil

Ponha então Carmen no lugar da santa
Caty Heathcliff como a plebéia
e Ripley como o bom-rapaz
Deixe o bom Ozzy como messias
Escolha Macondo pra sediar a zona
E no meu papel, a essa altura, tanto faz...